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Sarampo

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O Sarampo é um dos cinco exantemas clássicos da infância (outros são a Varicela, Rubéola, Eritema Infeccioso e o Exantema Súbito). É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias como espirros e tosse. O Sarampo é uma doença rara em todos os países, incluindo Portugal, onde a taxa de vacinação é superior a 95%.

O Sarampo é provocado por um vírus (Paramixovírus do Gen. Morbilivirus). É um vírus de RNA com invólucro. É relativamente frágil, inactivando-se facilmente pelo calor, solventes dos lípidos, radiações UV e em meios com pH inferior a 4,5.

O Sarampo é altamente contagioso e transmite-se de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias. Os infectados com sarampo são contagiosos um dia antes dos sintomas (cerca de 5 dias antes do início do exantema), até quatro dias após o aparecimento do exantema. É uma infecção especificamente humana.

No Sarampo o período entre a exposição e o início dos sintomas é de 8-12 dias.

As manifestações iniciais são febre alta, tosse rouca e persistente, nariz congestionado, conjuntivite e fotofobia (dificuldade em olhar a luz). A febre é habitualmente o primeiro sinal notado pelos pais. Neste período o sarampo é muito contagioso.

Após dois dias surge, habitualmente na mucosa da boca, um sinal que é patognomónico do Sarampo, o sinal de Koplik. Estas lesões habitualmente pequenas (1-2mm) são manchas brancas, comparáveis a grãos de sal circundados por halo avermelhado e desaparecem em 24 - 48h. Se se visualizam pode fazer-se o diagnóstico de Sarampo.

O exantema (manchas na pele) surge 12 a 24h após o sinal de Koplik, e inicia-se na face. O exantema é maculopapular, geralmente extenso, leva 1 a 2 dias a cobrir todo o corpo. Depois de 4-5 dias o exantema desaparece.

O sarampo pode ter várias complicações :

· Otite média aguda - É uma complicação frequente. Aparece habitualmente na segunda semana de doença, mas pode coincidir com o exantema.

· Pneumonia - A pneumonia pode ser uma complicação grave e até mortal, principalmente se má-nutrição e nos extremos da vida. Se ocorre precocemente habitualmente é causada pelo próprio vírus do sarampo. A pneumonia bacteriana ocorre habitualmente quando o exantema já está a desaparecer e é acompanhada por um recrudescimento da febre. Pode ser grave e por vezes mortal.

· Encefalite - A encefalite é uma complicação rara (1 caso por 1000), mas associada a elevada morbilidade e mortalidade.

· Panencefalite esclerosante subaguda - É uma encefalite lenta que surge 1 caso em 1 milhão de casos de Sarampo, meses ou anos após a fase aguda do sarampo. Numa primeira fase surgem alterações do comportamento e intelectuais e após surgem alterações motoras, convulsões, coma e morte.

Nos países desenvolvidos com elevadas taxas de vacinação deixou de se observar esta complicação. O diagnóstico é clínico devido às características muito típicas, especialmente as manchas de Koplik. Pode ser feita detecção de anticorpos em amostra de soro.

Em Portugal devido à elevada taxa de vacinação o Sarampo é uma raridade pelo que todo o diagnóstico clínico de Sarampo deve ser sempre confirmado laboratorialmente.

A mortalidade é de 0,1% em crianças de boa saúde e nutrição, mas pode subir até 25% em crianças subnutridas.

O tratamento é sintomático (paracetamol como antipirético e hidratação). Quando não ocorrem complicações, o doente fica curado em poucos dias.

Vacinação - A vacina contra o Sarampo é de vírus vivo atenuado. A vacina contra o sarampo é administrada no Programa Nacional de Vacinação (PNV) numa vacina trivalente VASPR em combinação com a vacina da Parotidite (papeira) e da Rubéola. Presentemente, recomenda-se a 1ª dose da VASPR aos 12 meses e, a 2ª dose aos 5-6 anos, antes da escolaridade obrigatória.

Dra. Graça Rocha
Consulta de Doenças Infecciosas
Hospital Pediátrico de Coimbra

 

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